sexta-feira, 7 de maio de 2010

Adamastor

 

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Esta foi para um bom rapaz!

De bom nome e fácil trato, Nuno Correia. Que me disse as palavras mágicas: “Faz como quiseres”. Uma chatice… Apenas escolheu a cor, um tipo de vermelho que se veio a descobrir ser um vermelho Citroen.

Não sei se pela cor ou pela mistura desta com os alumínios, a cana fez-me lembrar de alguma forma os tempos gloriosos dos descobrimentos portugueses e as mil e uma aventuras por nós vividas. Resolvi dar uma volta pelos Lusíadas e saiu-me ao caminho este simpático senhor. O Adamastor.

Como todos sabem, era o gigante que representa as forças da natureza que infligiam terríveis castigos às caravelas portuguesas que tentavam dobrar o Cabo da Boa Esperança e chegar ao Oceano Índico, seu domínio.

Figura simpática para colocar no gráfico.

Para compor, coloquei uma caravela na mão do gigante e desenhei uma rosa dos ventos que acrescentei à composição.

Posto isto, resta-me dizer que, de todos os clientes que tive até hoje, o Nuno foi o mais ansioso por ver a cana pronta. Um miúdo na véspera de Natal.

Não posso negar que esse facto por um lado me deixou muito satisfeito, por ter um nível de construção que já provoca este tipo de reacções, e por outro aumentou e de que maneira a minha responsabilidade. Ao que parece, estive à altura do acontecimento. Enquanto escrevo, o Nuno já está a preparar-se para ir estrear a sua menina em Peniche.

Para além da cor, de que já vos falei, usei um “blank” nacional com 3,00m repartidos por duas partes mais ponteira.

Para batente escolhi uma peça em alumínio exclusiva da 7even com alguns pormenores nos tons da cana.

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No cabo, um porta carretos em alumínio, personalizado, ladeado por duas peças do mesmo material.

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No gráfico, o já falado Adamastor acompanhado pela bandeira nacional, o meu logo e as informações técnicas da cana.

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Para os passadores escolhi os novos Ring Lock da American Tackle. No primeiro, optei por fazer um enrolamento de base em bordeaux igual aos do resto do cabo e com uma linha prateada por cima, em espiral.

Esta linha prateada foi descoberta numa pequena retrosaria e tem a particularidade de não ser redonda e ser cheia de irregularidades. O enrolamento é muito mais difícil de fazer mas fica com um ar antigo e alguma textura. Infelizmente já a acabei e já não se fabrica.

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O encaixe de espigão foi feito em carbono, o que confere mais solidez à cana e permite que em termos de sensibilidade se torne mais eficaz.

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Nos passadores seguintes optei pela linha habitual metalizada com três pequenas riscas em bordeaux para não adornar em demasia a cana.

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Para terminar, as três habituais ponteiras, duas em carbono e uma em fibra, todas com passadores Fuji.

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Está assim apresentada mais uma Made in Portugal.

O calor chegou e a vontade de pescar também. Para mim implica mais trabalho, canas novas ou as velhas que precisam de reparações. Abençoado Sol.

A próxima não demora mesmo nada.

Aliás, já está pronta.