segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cada gosto, uma cana diferente!

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Há uma certa tendência para se achar que os pescadores não ligam muito à estética das canas que compram.

Tenho uma opinião completamente diferente: tudo depende da possibilidade de escolha.

Até agora, se se queria comprar uma cana, tinha de se escolher dentro daquilo que está disponível no mercado. Quer se gostasse ou não de determinados pormenores ou de algum componente, só havia duas opções: ou se comprava ou não se comprava.

Talvez tenha sido este o motivo para se ter criado esta falsa ideia que porventura até provocou algum desleixo na apresentação de algumas canas que pululam no nosso mercado. A falta de opções gerou displicência.

Passemos agora para uma realidade diametralmente oposta.

Escolheu um “blank” com as características que pretende!

Ao contrário do que é habitual, encontra à sua disposição mil e uma cores para fazer os enrolamentos dos seus passadores ou se preferir os efeitos marmóreos e mesmo mais algumas alternativas e novidades que em breve vos vou dar a conhecer.

Pode escolher a cor da cana, o tipo de passadores assim como a quantidade e tamanho, o tipo de porta carretos. Pode ainda escolher os gráficos a colocar no cabo.

Já imaginou? Parece simples? Para alguns é. Para outros nem tanto. Foi o caso do Nuno Silva.

O Nuno chegou até mim porque viu em acção de pesca uma das primeiras Made in Portugal que fiz e gostou do desempenho e aspecto da mesma.

Foi o cliente mais indeciso até agora. Trazia bem definidas as características que queria na cana mas a componente visual foi bem mais complicada de clarificar.

Após muitas hesitações, resolvi deixar o cliente pensar e, se o desejasse, comunicar por telefone qualquer alteração aos pormenores então definidos.

Não foi preciso. Quis o destino que no dia seguinte tivéssemos escolhido o mesmo itinerário de compras, aproveitando o Nuno Silva para me inteirar das suas escolhas finais. Após um debate familiar ficou decidido que os enrolamentos seriam feitos com efeitos marmóreos em amarelo e azul claro. Os remates ficariam à minha escolha.

Podíamos agora iniciar a construção da cana. 

Mais uma vez a escolha recaiu num “blank” em conolon nacional com 3,00m divididos pelas habituais duas partes e ponteira.

O batente escolhido (em alumínio) foi coberto com epoxy e o respectivo remate em linha metalizada de dois tons: azul cinza e dourado claro. Um pormenor que fez toda a diferença no resultado final.

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Para o porta carretos a escolha recaiu no Fuji Heavy Duty DPSH totalmente construído em grafite e rematado por dois enrolamentos.

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Os gráficos do cabo, para lá das indicações técnicas, do logo da 7even e da nossa bandeira nacional, consistiram no nome do feliz proprietário e num peixe tribal, um tubarão cuja origem desconheço. Neste pormenor, a escolha tem incidido essencialmente neste tipo de peixes pois vai ao encontro do que a maioria dos clientes pretende.

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Nos passadores a escolha também recaiu na Fuji. Armações em preto e a loiça em Hardloy azul que combinam na perfeição com as cores da cana.

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Para terminar, as habituais três ponteiras com acções diferentes para abrangerem um maior número de opções de pesca.

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Mais uma construção com um cliente a conseguir exactamente o que pretendia e a demonstrar que os pescadores portugueses também dão importância à componente estética das canas. Pelo menos quando podem escolher!

As próximas já estão a ser construídas e em breve estarão aqui para a vossa apreciação que é fundamental para mim e para a minha evolução enquanto construtor de canas.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Algo diferente

 

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Quem segue com alguma atenção as minhas construções, já deve ter percebido que não gosto de fazer canas iguais ou parecidas às que construi antes. Não acho justo que alguém pague para ter uma peça única  e depois a veja espalhada por todo o lado. Exagero? Talvez. Mas é assim que eu entendo. Uma cana personalizada deve ser verdadeiramente uma peça única. Sem cópias.

Para continuar a fazer peças únicas, tenho que aumentar o leque de opções. Mais cores de linhas e mesmo outro tipo de materiais para fazer a decoração dos enrolamentos dos passadores. Não é tarefa fácil.

Há algum tempo atrás nas minhas habituais deambulações pelos sites americanos, encontrei uma nova técnica. Marbeling de seu nome. Um efeito marmóreo no nosso bom português.

Com epoxy de duas cores diferentes e com o timing certo no processo de secagem, conseguem-se fazer efeitos verdadeiramente espectaculares.

Quando o Angelino me encomendou uma Made in Portugal, mostrei-lhe a experiência que tinha feito com esta técnica numa das minhas canas, com dois tons de azul. De imediato ficou decidido como iria ser a sua.

A Pesca Embarcada é a sua disciplina de eleição há já largos anos. Pescador experimentado e com provas dadas no que respeita a bons resultados, optou por uma cana com 3.0 m dividida em duas partes e ponteira.

Começando pela extremidade inferior da cana podemos observar o  batente em alumínio coberto com epoxy, rematado com o enrolamento em laranja escuro que irá acompanhar todos os pormenores da cana.

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O porta carretos da Fuji, em grafite, enquadrado no meio de dois enrolamentos, confere leveza e segurança no aperto do carreto. E muita longevidade.

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No cabo, um peixe tribal de origem mexicana, em azul e laranja, acompanhado do nome do cliente. O logo da 7even, a bandeira nacional e as indicações técnicas completam o gráfico aplicado.

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Os passadores Fuji com interior em Hardloy completam o hardware.

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Três ponteiras em fibra de vidro também guarnecidas com passadores Fuji e de diferentes acções.

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Mais uma Made in Portugal pronta a entrar em acção.

Só espero que o Angelino goste tanto de pescar com ela como eu gostei de a construir.

A próxima não vai tardar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cana temática

 

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O tipo de acabamentos de todas as canas que tenho feito até agora apenas obedece à vontade do cliente. Cores, tipo de passadores e porta carretos e os gráficos do cabo. São obviamente escolha sua.

Não me estou a queixar mas de vez em quando é-me agradável poder dar asas à imaginação. Desta vez tive alguma liberdade tendo apenas a preocupação de construir a cana com referências a um tema.

Passo a explicar.

Os meus pais, já bem perto da casa dos 80 anos, padecem de maleitas semelhantes. Os maus tratos da vida árdua que tiveram na sua infância e os imensos sacrifícios que foram fazendo ao longo dos anos para que nada faltasse a mim e aos meus irmãos deixaram marcas profundas.

Recentemente, ambos tiveram necessidade de ser submetidos a intervenções cirúrgicas muito delicadas que nos obrigaram a procurar um Neurocirurgião. 

Em termos subjectivos, é uma tarefa sempre complicada a de encontrar um médico a quem se possa confiar a vida de duas das mais importantes pessoas da nossa existência.

Entra assim em cena o Dr. Joaquim Pedro Correia. Fez um trabalho notável, conseguindo devolver-lhes muita qualidade de vida.

Sempre amável e disponível, marcou a maneira de ser, simples, do meu pai. À conversa, descobriu que ele também é pescador. Pesca Embarcada. Daí até me “encomendar” uma cana para lhe oferecer…

“Faz uma cana bonita”, foram as recomendações recebidas.

Acho que consegui!

“Blank” de conolon nacional, preto, com 2,40m, foi a escolha que julguei mais acertada levando em conta as poucas informações que tinha da forma de pescar do visado.

Resolvi arriscar um pouco na escolha das cores e fazer uma cana mais alegre. Branco, prateado, azul e laranja foram as minhas escolhas. Branco das batas, prateado para combinar com o restante hardware, azul porque sim e laranja para alegrar. 

Para porta carretos utilizei ferragens em alumínio com o tubo personalizado com o logo da 7even e enrolamentos nas cores escolhidas.

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No cabo as habituais presenças da bandeira portuguesa, detalhes técnicos, o nome do proprietário e uma figura representativa do sistema nervoso central que ao sol fica deslumbrante.

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Os passadores cromados, com hastes arqueadas e interior em SIC.

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Todos os enrolamentos foram feitos com seda e seda metalizada.

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Duas ponteiras em fibra de vidro e um batente em alumínio a condizer com o porta carretos, completam o conjunto.

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E assim está concluída a primeira cana temática que construi sem indicações do cliente, com um resultado final que considero bastante satisfatório.

Ao Dr. Joaquim Pedro Correia deixo aqui o meu agradecimento e votos de boas pescarias com a sua Made in Portugal.

Espero que gostem!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Winnie the Pooh ao estilo das Made in Portugal

 

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Por esta altura já está a perguntar o que é que o Winnie the Pooh tem a ver com as Made in Portugal! Tudo e nada.

Esta é uma das vantagens das canas personalizadas: transformam um objecto, que não raras vezes tratamos mal e de uma forma descuidada, em algo que vamos cuidar e guardar pois é uma peça única. É só sua.

Assim surge o Winnie the Pooh.

Quando chegou a hora de colocar um nome no barco, por causa da adoração que os filhos tinham pelo urso laranja, o Vasco baptizou-o de Pooh.

Chegada também a hora do baptismo da sua Made in Portugal o nome escolhido foi o mesmo. E é aqui que o Winnie tem tudo a ver com as Made in Portugal.

Confesso que me assustou um pouco fabricar uma cana com um urso. Fiquei um pouco atrapalhado em relação à forma de introduzir o boneco e ao mesmo tempo fazer uma cana bonita e dentro das cores que o Vasco queria na cana: verde e outra à minha escolha nos enrolamentos.

A solução que encontrei foi não usar o verde. Apenas usei a outra. E em boa hora o fiz.

A pedido, a cana tem 2,90m com três ponteiras (duas em carbono e uma em fibra de vidro). O “blank” como não podia deixar de ser é em conolon nacional.

O preto e o dourado foram as cores escolhidas.

Na extremidade da cana coloquei um contrapeso em alumínio (a pedido do cliente) que tapei com um enrolamento em linha metalizada preta com algumas riscas douradas e o logo da 7even.

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Para o porta carretos escolhi um Fuji Heavy Duty DPSH que tem como característica não ter qualquer peça metálica. Os encaixes para o carreto são feitos em grafite reforçada. Corrosão não entra!

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No cabo o habitual logo da 7even, a bandeira nacional, as indicações técnicas, os nomes do cliente (e amigo), do respectivo barco e a estrela da companhia, Winnie the Pooh. À pesca!

O que eu tinha receio de não conseguir incorporar na cana acabou por ser o elo de ligação e a inspiração para uma das canas mais bonitas que fiz até hoje.

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Quanto aos passadores a escolha também recaiu na Fuji. Para os enrolamentos, linha metalizada preta com uma pequena risca em cada topo, de dourado.

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As ponteiras, duas em carbono e uma em fibra de vidro, todas com passadores Fuji e com enrolamentos também em preto e dourado. Para sinalizar as pontas optei por colocar pequenas tiras de dourado em lugar do habitual rosa e verde fluorescente. Depois conto se é igualmente eficaz. A mim pareceu-me que sim e mais em harmonia com o resto da cana.

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E assim fica apresentada mais uma Made in Portugal.

Com o avançar da sua produção e do meu aperfeiçoamento técnico tem-se agravado aquilo que sinto desde que as comecei a fabricar: cada vez me custa mais entregar as minhas canas a quem as compra.

Cada uma delas representa muitas horas de trabalho e dedicação. São testemunhas da minha evolução.

Estou a pensar seriamente em criar uma ficha de revisões mensais e respectiva inspecção. Riscos e maus tratos não vão ser admitidos.

Como é óbvio estou a brincar. Mas não seria de todo mal pensado…

A próxima já está quase pronta e também não está nada mal. Digo eu…

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Canas nacionais – teste de levantamento

 2,260kg - levantamento

Desde que comecei a construir canas com “blanks” nacionais fiquei curioso acerca das suas reais potencialidades.

Resolvi por isso fazer-lhes uns testes de levantamento.

Deixem-me dizer-vos que nunca percebi bem qual a utilidade de tais testes. Fisicamente é virtualmente impossível um homem normal levantar um peixe acima dos 2 ou 3 kg e içá-lo para bordo de um barco ou para cima de uma muralha ou pedra onde esteja a pescar. Mas deixei-me levar pelo entusiasmo e coloquei uma das minhas meninas à prova. E que prova!

No penúltimo dia de Dezembro, aproveitando o mau tempo e alguma ressaca provocada pela ausência de pesca, resolvi testar até aos limites uma destas canas. Escolhi uma de 2,40m.

Passadores colocados de forma provisória (com fita adesiva) assim como o porta carretos, o encaixe solto sem estar colado e uma ponteira de fibra de vidro também improvisada. Se a coisa corresse mal pouparia assim umas horas de trabalho.

Para testemunhar os testes aproveitei a presença do Humberto e do Ernesto que por aqui tinham passado para matar tempo e sonhar com as pescarias que estavam para vir. O Humberto acabou por ser o fotógrafo de serviço.

Iniciei a série com 2,250kg. Achei bastante satisfatório mas muito aquém do que suporta tal era a facilidade com que o fazia. A foto de abertura ilustra isso mesmo.

Feito o primeiro levantamento com muita facilidade, a fazer lembrar os Halterofilistas nos Jogos Olímpicos que levantam sempre o primeiro peso sem grande esforço , resolvi começar a tornar as coisas mais interessantes: 3,822kg.

“É muito peso” comentava o Humberto com alguma preocupação. Não importava. O objectivo era chegar ao limite.

E este ainda não seria o seu limite. Mais uma vez e com relativa facilidade a Made in Portugal superou a prova.

Por questões de segurança a partir deste levantamento usei uns óculos. Quando se parte uma cana que está sob uma tensão tão grande, existe uma forte possibilidade de haver projecção de pequenos pedaços de fibra que podem causar ferimentos.

As minhas testemunhas estavam a ficar surpreendidas com a performance desta minha Made in Portugal.

A próxima etapa levou-nos até aos 5,015kg que estão ilustrados na foto seguinte.

5,015 - foto da balança

“Desta é que parte!”, palpitou o Humberto. E partiu. A linha! O 0,40mm já vincado pelos testes anteriores não resistiu ao esforço. Coloquei no carreto alguns metros de 0,70mm para não ter mais problemas.

Comecei por tentar levantar uma segunda vez o mesmo peso com os pés no chão mas logo percebi que já não tinha braços suficientemente longos para o fazer. Subi para uma cadeira. E adivinhem… Sem qualquer problema! Nem pareciam 5 kg. Para a cana, porque a mim já me começavam a tremer os braços.

5,015 kg - foto levantamento

Não me dei por satisfeito. Queria realmente atestar as reais  qualidades halterofilisticas da cana. Mais chumbo. 

Com mais 1,047kg perfazia agora um total de 6,062kg. Um peso de respeito para qualquer cana.

E esta realmente é uma cana que quer impor respeito! Sem apresentar qualquer indício de estar prestes a ceder, os 6 kg também não foram problema.

Tudo o que viesse a partir de agora já seria excepcional!

Os meus companheiros de teste acharam que já chegava. E de facto levantar 6 kg em seco equivale à luta dentro de água de um peixe de grande porte. Resistência mais que suficiente para combater com a grande maioria dos exemplares que se podem capturar nas nossas águas.

Sou por natureza impulsivo nas minhas decisões. E nesta ocasião não fui contra essa tendência!

Ao peso anterior juntei mais uma chumbada de  0,976 kg perfazendo um total de 7,038 kg. Seria o último teste.

7,038 kg - balança

Se há seis meses atrás alguém me dissesse que havia uma cana para pesca embarcada com uma maravilhosa acção parabólica progressiva, com três ponteiras, bons acabamentos, fabricada em Portugal e que levantava 7 kg, provavelmente começaria a rir. Mas esta cana existe e levanta realmente 7,038 kg, para ser mais preciso.

7,038 kg - levantamento

Fiquei com a certeza que ainda levantaria mais peso. Mas para quê? Os braços já me tremiam muito e tinha provado o que queria: também na pesca “o que é nacional é bom”!

Provavelmente nunca virei a ser um grande fabricante de canas, com uma produção e preços que possam fazer frente ao que vem lá de fora. Provavelmente até levará muito tempo para que algumas mentalidades se libertem de  preconceitos e apreciem as qualidades daquilo que faço. Mas uma coisa é certa: vou continuar sempre a tentar construir grandes canas. Made in Portugal, claro.     

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Uma cana muito especial



Estes dias que antecedem o Natal tem o condão de trazer ao de cima o melhor que nós temos.
Sentimentos à flor da pele e vontade de resolver quase todas aquelas pequenas querelas que de uma forma ou de outra nos afectam ao longo do ano. Valorizamos mais aqueles que nos rodeiam, sejam familiares ou amigos daqueles verdadeiros. Faz-nos apreciar mais a sua presença e aquilo que representam para nós.
Tenho saudades do Natal mais livre de planos de Marketing quase maquiavélicos para estimular o consumismo desenfreado, infelizmente cada vez mais acentuado nesta época. O espírito de partilha deve ser o mais importante nesta época. Não o deixem morrer.
Porque ainda acredito no Pai Natal, desejo a todos um santo e feliz Natal e um Ano novo definitivamente melhor. Todos nós merecemos.
Quero ainda deixar um agradecimento especial a duas ou três altas patentes pela força que me tem dado. Procurarei não vos desapontar neste novo ano.
Posto isto, resta-me falar-vos de uma cana muito especial.

Há alguns dias atrás o meu filho mais velho confessou o desejo que tinha em ter uma cana feita por mim. "Uma Made in Portugal assim com azuis e prateado" foi  a forma como ele a descreveu.
Pois como, dentro da medida do possível, os  pedidos dele são uma ordem, joguei mãos à obra e resolvi construir uma cana para oferta de Natal.
Depois de analisar as necessidades do meu exigente cliente, não deixa passar em claro nenhuma imperfeição, achei que 2,10m seria o tamanho ideal. Poderá fazer as suas sessões de Spinning que ele tanto gosta e uma ou outra eventual incursão na Pesca Embarcada não será problema.
Um "blank" de conolon nacional foi o escolhido com uma pequena inserção em fibra de vidro maciça com cerca de 20 cm.
Porta carretos em nylon, encaixe feito em carbono e passadores monopata SIC completam o "hardware" escolhido.



Para o gráfico do cabo, escolhi um pequeno tubarão a saltar fora de água com um sorriso que lhe coloca à mostra os temíveis dentes. São os peixes favoritos dele.



O nome Nuno Diogo impresso em uma letra jovem e divertida, a bandeira portuguesa assim como o logo da 7even completam o conjunto. Ainda acrescentei uma pequena inscrição com a frase " Exemplar único" e com a data. Ele gosta destes pormenores.







Na ponta da cana, uma pequena bola azul coberta com epoxy e brilhantes. Os enrolamentos estão feitos com seda metalizada em quatro cores: azul escuro, azul claro, prateado e como remate uma pequena tira de dourado. Uma combinação que me parece resultar bem.







No conjunto, uma cana leve ideal para o Spinning mas sem problemas na Pesca Embarcada ou até em uma pesca à chumbadinha que também costuma fazer
Uma cana especial para o cliente mais especial que posso ter.
Para o ano já devo ter o mais novo com um pedido semelhante.
Resolvi partilhar convosco esta parte do meu Natal. Espero que gostem.
Um Feliz Natal para todos!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Made in Portugal



Apesar de ter adoptado um nome em inglês para a minha marca, por questões comerciais, sinto um grande orgulho em ser português e em tudo o que isso representa. Politicas à parte.
Procuro consumir produtos feitos por cà, por patriotismo e por realmente serem na maioria dos casos de muito boa qualidade. Desde o vestuário e calçado até à alimentação.
A pesca, na maioria dos casos, é uma excepção. O pouco que se fabrica em Portugal ou é desconhecido ou acompanhado de má reputação. As linhas de pesca são um exemplo disso. As grandes marcas internacionais compram linhas em Portugal, rebobinam e vendem o produto final como Made in Japan ou coisa que o valha. As melhores linhas europeias também são feitas cá.
Mas é de canas de pesca que vos quero falar.
Já todos vós ouviram falar ou até têm uma cana em conolon nacional. Aquelas amarelas, pesadissimas, muito macias mas com uma força que as torna virtualmente indestrutiveis. Ainda se fabricam. No Norte.
Nesta minha caminhada pelo mundo do  fabrico de canas, resolvi verificar se realmente todas as más referências que acompanham estes "blanks" nacionais eram reais. A melhor maneira de o fazer? Comecei por desmontar uma de 5m dividida em duas partes.
Verifiquei que só o encaixe metálico pesava 134 gr. Depois desmontei o porta carretos e adivinhem: 157 gr. Retirei um metro de mangueira que utilizavam para proteger o cabo, 200 gr, e cheguei ao cabo de alumínio. Para poupar, a uma vara de 4,5 m acrescentavam 50 cm de tubo.Mais 300 gr. Tudo somado, 791 gr só nestes componentes. Sem contabilizar os passadores e o próprio peso do "blank".
Rapidamente percebi que mesmo despido de todos os componentes, o "blank" continuava a ser pesado. É um facto. "Mas tem que haver maneira de os aproveitar e fazer canas com qualidade", foi o meu pensamento. Resolvi comprar algumas varas de 2,40m, 2,70m e 3,00m.
Recebidas as canas e verificado o mau aspecto que traziam, conversei com o meu amigo Quim, excelente pintor de automóveis. Tinta e verniz adequados com tratamento para raios UV e com a elasticidade necessária para não estalar em acção de pesca, comprados e aplicados. Rapidamente o caso mudou de figura. Um "blank" preto e brilhante surgiu, provocando alguma incredulidade em quem os via e confundia com carbono. A foto de abertura é a prova disso.
Começava assim esta nova etapa da minha vida profissional. Confesso que em raras ocasiões me senti tão entusiasmado como neste momento. Um manancial de ideias e possibilidades que surgem a um ritmo que me assusta por não ter tempo nem meios para as colocar em prática. Com calma, passo a passo lá chegarei.
Vou falar um pouco das primeiras que construi e mostrar-vos  pormenores de cada uma delas. Impossível fazer um destaque.
As primeiras tiveram por nome "Labrax" e "Estuário". A temática dos nomes é uma constante dor de cabeça. A seu tempo falaremos sobre isso.
A "Labrax" é uma cana de duas partes com 2,40m, com um "insert" em fibra de vidro maciça nos últimos 30cm e destinada ao Spinning. Enrolamentos em seda metalizada azul, cabo com a imagem de um Robalo, logo da 7even e respectiva informação técnica.

Pormenor do enrolamento da "Labrax"


A primeira Made in Portugal estava feita e devidamente experimentada e já com algumas capturas no curriculo. Orgulho.
O entusiasmo era muito e as noitadas foram muitas. Seguidas. Ainda são!
A "Estuário" não demorou a estar concluída.

O enrolamento da "Estuário" em prata, verde e vermelho


Por sugestão do meu bom amigo João Martins, foi construída com 2,40m, inteira com 3 ponteiras de 60cm.
A pesca embarcada foi o seu destino. E com assinalável sucesso. Julgo que o Júlio, outro amigo, foi o padrinho da sua estreia a bordo do Makaira.
A partir daqui já não parei. A "Fish Hell" foi a seguinte.

Gráfico da "Fish Hell" com o peixe tribal e as chamas em destaque



Metro e meio com duas ponteiras em fibra de vidro, "blank" vermelho e enrolamentos marmoreados a imitarem chamas. Os gráficos do cabo com o peixe tribal, mais chamas, o logo da 7even e a informação técnica. Na extremidade, tal como a "Labrax", uma bola envolta em chamas.

Enrolamento marmoreado em chamas



Pormenor do batente em forma de bola


A "Sirius" foi a cana que fechou este arranque. O mais perfeito dos meus trabalhos até então.
Enrolamentos em seda metalizada, preto mesclado com prata, gráficos simples com o nome "Sirius" em letra estilizada e a restante informação técnica. A bandeira portuguesa passou a fazer parte dos gráficos aplicados.

Enrolamento da "Sirius"


As canas de duas partes são unidas por encaixes feitos por mim.




Todas elas foram testadas aqui na oficina. Levantam 2,360kg com uma facilidade que impressiona. Provavelmente levantam muito mais. Mais um tema para falarmos e testarmos um destes dias.
Muitas já se seguiram a estas, mas queria deixar a história completa das primeiras (espero que sejam as primeiras de muitas), para que possam acompanhar e talvez também sentir o entusiasmo e carinho que coloco nas canas que construo.
Em breve, num blogue perto de si, mais uma cana portuguesa com certeza.
Até lá.