domingo, 4 de abril de 2010

Loucura verde

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De algum tempo para cá as encomendas de Made in Portugal que tenho recebido não me têm permitido construir canas para colocar à venda na loja.

É importante que alguém que por aqui passe encontre trabalho meu exposto. E fazer canas livremente (entenda-se sem cliente final pré-definido) permite duas coisas: tenho oportunidade de divagar um pouco nas cores, gráficos e mesmo nos componentes extra que posso colocar e aproveito ainda para experimentar novas técnicas.

Confrontado com um interregno forçado provocado pelo atraso na pintura de alguns “blanks”, joguei mãos à obra e comecei quatro canas. Duas já estão acabadas e as outras bem encaminhadas. Assim o Quim (o pintor) se mantenha atrasado e rapidamente as termino.

Mas hoje vou apenas apresentar-vos uma delas: a Green Madness.

Aqui por Setúbal e arredores praticam-se alguns tipos de pesca que necessitam de canas com algumas particularidades. Vejamos:

- pesca à chumbadinha nas zonas rochosas da Sécil, que requer uma cana sensivel, relativamente leve mas ao mesmo tempo poderosa;

- pesca em praias de mar aberto mas ainda muito abrigadas pela serra da Arrábida, que permitem uma pesca que tanto se pode praticar com uma chumbada de 30 gr ou uma de 100 gr e canas mais curtas do que as habituais de surfcasting;

- spinning pesado ou corrico, para o pessoal da velha guarda, que requer uma cana boa lançadora e com um peso comportável e confortável.

Pois bem, juntar na mesma cana sensibilidade, poder de lançamento, força e alguma leveza, não é tarefa fácil!

Mas as “Made in Portugal” não param de surpreender.

Escolhi um “blank” com 3,10 m em conolon nacional dividido em duas partes. Na secção superior fiz uma alteração: construi uma ponteira híbrida, sendo os últimos 40 cm em fibra de vidro maciça. Objectivo? Dar-lhe sensibilidade sem retirar a força que caracteriza estes “blanks”.

Para o batente optei por uma peça em alumínio que cobri com epoxy e uma pequena secção de Eva (a esponja preta utilizada nos cabos) rematada com epoxy de efeito marmóreo e os respectivos enrolamentos em três tons de verde. Este efeito é uma variação do efeito marmóreo habitual feito com duas cores diferentes de epoxy. Neste caso, utilizei preto e brilhantes verdes com um resultado final a que as fotografias não fazem justiça.

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No porta carretos optei por usar apenas um esqueleto em grafite e personalizar com o mesmo efeito a secção do meio. Para remate, dois pequenos pedaços de Eva esculpidos em formas ovaladas e os enrolamentos.

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Para os gráficos optei por escolher uma imagem em tons de verde, com círculos de vários tamanhos e tons da mesma cor. O resultado final faz com que se passe muito tempo a olhar para os reflexos que faz ao sol. A bandeira nacional e o logo da 7even assim como os dados técnicos e o nome da cana completam o conjunto.

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Os bonitos passadores Low Rider finalizam o hardware escolhido, sempre com os enrolamentos em três tons de verde a acompanhar.

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A ponteira em fibra de vidro maciça termina a cana. Nos passadores finais, alonguei o tom de verde quase fluorescente para uma melhor visibilidade.

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E é assim o resultado final de mais esta Made in Portugal.

Depois de experimentar a cana com alguns lançamentos posso afirmar que, apesar de lhe ter atribuído uma acção de lançamento até 100 gr, pode facilmente lançar pesos maiores e com bastante eficácia. Ficou forte, muito forte, sensível e boa lançadora. Ainda por cima esta é verde e está muito bonita. As fotos não lhe fazem justiça. Passem por cá e confirmem. As coordenadas da 7even são as seguintes: Latitude – 38º31´16.96”N

                Longitude – 8º 53 41.96 “W

Introduzindo as coordenadas  no Google Earth poderá facilmente encontrar o caminho para a casa das Made in Portugal.

A próxima já está feita e a aguardar a respectiva sessão fotográfica.

Fiquem atentos porque não demora.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Azul e prata

 

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Já aqui falei dos poucos mas bons amigos que tenho.

Hoje vou falar dos meus bons clientes que acabam por se transformar em amigos.

O Sr. Mário Rui é uma daquelas figuras com que se simpatiza de imediato.

Muito amável e sempre disposto a ajudar, sofredor Vitoriano como grande setubalense que é, uns quilos a mais acompanhados de um farto bigode e uma boa disposição sempre presente. As conversas de final de semana já são um hábito de que sentimos falta quando não acontecem.

A pesca embarcada é a sua disciplina de eleição e para a qual está bem apetrechado. Grande adepto de pescarias feitas à rola entre a Comenda e a Figueirinha que invariavelmente tão bons resultados dão.

Como cliente, amigo, próximo, o Sr. Mário foi acompanhando bem de perto a minha evolução técnica, assistindo aos percalços e aos sucessos e até ajudando na resolução de alguns problemas.

Há algum tempo atrás comentou que um dia destes me ia encomendar uma Made in Portugal. E não me fez esperar muito tempo.

Como homem simples que é apenas me pediu que fizesse uma cana com os enrolamentos em azul e preto e lhe metesse o seu nome e um peixe a meu gosto.

Como gosto de satisfazer os pedidos dos meus clientes mas ao mesmo tempo dar um toque pessoal, o resultado foi aquele que poderão ver e ler daqui em diante.

Confesso que gostei muito do resultado final.

O “blank” escolhido foi o inevitável conolon nacional com 3,00m, divididos em duas partes e ponteira tendo o preto como cor base.

(Já agora aproveito para vos informar que em breve vos vou mostrar o novo recorde de levantamento de uma Made in Portugal.)

Para batente escolhi uma peça em alumínio decorada com enrolamentos em azul, prata e preto, que vão acompanhar toda a decoração da cana. O logo da 7even também marca presença.

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Porta carretos em grafite, um pouco diferente do que habitualmente uso, mas que achei ser o que melhor combinava com a cana. Os enrolamentos nas cores já referidas, rematam a sua colocação.

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Para os gráficos, os habituais logo da 7even e a bandeira nacional assim como as informações técnicas. O nome do cliente e um peixe completam o conjunto.

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Os passadores Fuji Hardloy com os enrolamentos feitos com as mesmas três cores - azul, prata e preto - completam o hardware utilizado.

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Três ponteiras, duas em carbono e uma em fibra de vidro, com enrolamentos a duas cores, azul e prata. Uma trabalheira.

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E foi este o resultado final de mais uma Made in Portugal.

Uma cana de cores suaves feita à medida de um bom pescador, cliente e amigo. Vitoriano!

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Espero que gostem de mais esta menina.

As próximas vão ser bem diferentes. Já estão quase prontas e com umas técnicas novas. Aguardem!

domingo, 14 de março de 2010

Parto difícil!

 

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Todas as canas têm o seu grau de dificuldade em termos de construção. Umas têm enrolamentos mais complexos, outras têm um porta carretos mais difícil de personalizar e outras ainda são complicadas porque por uma razão especial não sei o que fazer! E acreditem que ideias para canas não me faltam. Acompanham-me sempre, mesmo a dormir…

Desta vez a razão especial foi o facto de ir fazer uma cana para um amigo do peito.

A vida não tem sido propriamente um mar de rosas para mim mas deu-me algumas coisas que me fazem estar eternamente agradecido, das quais os poucos mas verdadeiros amigos que são um dos mais preciosos tesouros que tenho.

Quando o Ernesto me encomendou uma Made in Portugal, cedo percebi que tinha um verdadeiro desafio pela frente.

“Quero a imagem do blogue e a cana tem que ser azul”

Fácil? Nem por isso!

Quem o conhece sabe que rege a sua vida e a forma de pescar pelos mesmos princípios, sendo a simplicidade a sua principal característica.

Ao mesmo tempo a vontade de fazer uma cana vistosa tomava conta de mim, o que iria chocar com o  acima descrito.

Depois do “blank” pintado de azul e devidamente preparado, comecei a conjugar cores para os enrolamentos. Fiz cinco ensaios que de pronto rejeitei.

Fazer uma cana simples de forma que seja distinta e uma peça única que se destaque de todas as outras para um amigo que nos é particularmente chegado não é tarefa fácil.

Após muitas hesitações julgo ter encontrado uma solução.

Mas chega de conversa e passemos ao resultado final porque enquanto escrevo este documento está a ser baptizada. Soube agora que já apanhou um pargo!

O “blank” escolhido foi mais uma vez um conolon nacional mas com 3,30m divididos por duas partes e ponteira. A cor, azul.

No batente, optei por colocar uma peça de alumínio coberta pelo enrolamento feito com linha azul e três conjuntos de riscas em dourado e azul mais claro que acompanham também todos os restantes enrolamentos da cana. Como remate uma tampa dourada e azul com duas âncoras douradas.

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Na parte inferior do cabo, a inserção do endereço do blogue com os enrolamentos nas pontas.

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Porta carretos da Fuji ladeado por duas peças de alumínio cobertas por enrolamentos azuis.

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Na parte superior do cabo, a imagem do blogue e o nome, acompanhados pela bandeira nacional, o logo da 7even e restante informação técnica.

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Os passadores, Fuji Hardloy, com enrolamentos feitos com linha metalizada nas cores referidas acima.

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As três ponteiras com passadores Fuji com enrolamentos em dourado e azul, rematam o conjunto.

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O resultado final agradou-me mas sei que vou retocá-la sempre que tiver oportunidade, na procura da perfeição que procurei conseguir nesta cana.

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Um parto difícil que acabou bem. Só espero ter estado à altura do grande pescador que é o Ernesto Lima e que tenha feito justiça à qualidade do blogue.

Como habitualmente, a próxima já está feita e o relato a caminho.

Vá passando por cá.

terça-feira, 2 de março de 2010

Não há duas sem três!

 

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Este antigo adágio popular não podia ser melhor empregue.

Passo a explicar porquê.

O João Trindade é um entusiasta da pesca desportiva que começou a dar os primeiros passos há relativamente pouco tempo. Depois de adquirido o equipamento para pescar ao fundo a partir da costa, eis que surge a segunda tentação: a pesca embarcada.

Foi com satisfação que constatei ter sido mais uma vez escolhido para o aconselhar na escolha do carreto e da cana mais apropriada. Sinal de satisfação pelos serviços prestados, o que muito me alegra.

O carreto foi um assunto rapidamente resolvido e tratado. A cana estava prestes a ser uma 7even First Edition quando ele reparou numa das canas que construí.

Perante o seu interesse expliquei-lhe a origem da mesma e mostrei-lhe o portfolio das minhas meninas.

Daí até combinarmos os pormenores de como seria a sua Made in Portugal foi um instante.

Um cliente simples nas suas exigências: efeito marmóreo em verde e branco nos passadores, como um bom vitoriano gosta, o nome nos gráficos do cabo devidamente acompanhado por um peixe e a garantia de que estava a comprar uma cana de qualidade, o que em breve pretendia comprovar. A cana teria que estar pronta a tempo para uma pescaria no dia 28 de Fevereiro. E esteve. Mas a pescaria… Maldito Inverno!

Como não há duas sem três, aqui vos deixo a terceira Made in Portugal com efeitos marmóreos construída de seguida.

O “blank” escolhido foi o habitual conolon nacional com 3.00m, dividido em duas partes mais ponteira.

O batente escolhido foi uma peça em alumínio terminado por uma borracha e rematado com o efeito marmóreo referido acima e um enrolamento em dois tons de verde e dourado.

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Para porta carretos escolhi desta vez um em alumínio com duas peças do mesmo material a compor o cabo. Este porta carretos tem a particularidade de ter duas aberturas ovais que foram preenchidas com o efeito já citado e o logo da 7even.

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Nos gráficos do cabo a informação técnica, o logo da 7even, a bandeira nacional, o nome do cliente e a cabeça de um peixe em tons de verde que encaixou na perfeição. Tudo isto com o efeito marmóreo e os respectivos enrolamentos a três tons.

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Os passadores, cromados, para combinarem com as peças em alumínio, com interior em SIC. Verde e branco a dominarem os enrolamentos.

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Para acompanhar, três ponteiras em fibra de vidro com enrolamentos em dourado.

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E assim fica apresentada a terceira cana desta curta série com efeitos marmóreos. Todas elas ao gosto do cliente.

Em termos estéticos, esta resultou sem dúvida muito agradável. Em acção de pesca, vou esperar que o João Trindade diga de sua justiça.

A próxima, está a secar enquanto escrevo. Foi até agora a cana mais complicada e difícil de fazer.

Porquê? Vá passando por cá que em breve vai ficar a saber.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cada gosto, uma cana diferente!

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Há uma certa tendência para se achar que os pescadores não ligam muito à estética das canas que compram.

Tenho uma opinião completamente diferente: tudo depende da possibilidade de escolha.

Até agora, se se queria comprar uma cana, tinha de se escolher dentro daquilo que está disponível no mercado. Quer se gostasse ou não de determinados pormenores ou de algum componente, só havia duas opções: ou se comprava ou não se comprava.

Talvez tenha sido este o motivo para se ter criado esta falsa ideia que porventura até provocou algum desleixo na apresentação de algumas canas que pululam no nosso mercado. A falta de opções gerou displicência.

Passemos agora para uma realidade diametralmente oposta.

Escolheu um “blank” com as características que pretende!

Ao contrário do que é habitual, encontra à sua disposição mil e uma cores para fazer os enrolamentos dos seus passadores ou se preferir os efeitos marmóreos e mesmo mais algumas alternativas e novidades que em breve vos vou dar a conhecer.

Pode escolher a cor da cana, o tipo de passadores assim como a quantidade e tamanho, o tipo de porta carretos. Pode ainda escolher os gráficos a colocar no cabo.

Já imaginou? Parece simples? Para alguns é. Para outros nem tanto. Foi o caso do Nuno Silva.

O Nuno chegou até mim porque viu em acção de pesca uma das primeiras Made in Portugal que fiz e gostou do desempenho e aspecto da mesma.

Foi o cliente mais indeciso até agora. Trazia bem definidas as características que queria na cana mas a componente visual foi bem mais complicada de clarificar.

Após muitas hesitações, resolvi deixar o cliente pensar e, se o desejasse, comunicar por telefone qualquer alteração aos pormenores então definidos.

Não foi preciso. Quis o destino que no dia seguinte tivéssemos escolhido o mesmo itinerário de compras, aproveitando o Nuno Silva para me inteirar das suas escolhas finais. Após um debate familiar ficou decidido que os enrolamentos seriam feitos com efeitos marmóreos em amarelo e azul claro. Os remates ficariam à minha escolha.

Podíamos agora iniciar a construção da cana. 

Mais uma vez a escolha recaiu num “blank” em conolon nacional com 3,00m divididos pelas habituais duas partes e ponteira.

O batente escolhido (em alumínio) foi coberto com epoxy e o respectivo remate em linha metalizada de dois tons: azul cinza e dourado claro. Um pormenor que fez toda a diferença no resultado final.

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Para o porta carretos a escolha recaiu no Fuji Heavy Duty DPSH totalmente construído em grafite e rematado por dois enrolamentos.

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Os gráficos do cabo, para lá das indicações técnicas, do logo da 7even e da nossa bandeira nacional, consistiram no nome do feliz proprietário e num peixe tribal, um tubarão cuja origem desconheço. Neste pormenor, a escolha tem incidido essencialmente neste tipo de peixes pois vai ao encontro do que a maioria dos clientes pretende.

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Nos passadores a escolha também recaiu na Fuji. Armações em preto e a loiça em Hardloy azul que combinam na perfeição com as cores da cana.

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Para terminar, as habituais três ponteiras com acções diferentes para abrangerem um maior número de opções de pesca.

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Mais uma construção com um cliente a conseguir exactamente o que pretendia e a demonstrar que os pescadores portugueses também dão importância à componente estética das canas. Pelo menos quando podem escolher!

As próximas já estão a ser construídas e em breve estarão aqui para a vossa apreciação que é fundamental para mim e para a minha evolução enquanto construtor de canas.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Algo diferente

 

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Quem segue com alguma atenção as minhas construções, já deve ter percebido que não gosto de fazer canas iguais ou parecidas às que construi antes. Não acho justo que alguém pague para ter uma peça única  e depois a veja espalhada por todo o lado. Exagero? Talvez. Mas é assim que eu entendo. Uma cana personalizada deve ser verdadeiramente uma peça única. Sem cópias.

Para continuar a fazer peças únicas, tenho que aumentar o leque de opções. Mais cores de linhas e mesmo outro tipo de materiais para fazer a decoração dos enrolamentos dos passadores. Não é tarefa fácil.

Há algum tempo atrás nas minhas habituais deambulações pelos sites americanos, encontrei uma nova técnica. Marbeling de seu nome. Um efeito marmóreo no nosso bom português.

Com epoxy de duas cores diferentes e com o timing certo no processo de secagem, conseguem-se fazer efeitos verdadeiramente espectaculares.

Quando o Angelino me encomendou uma Made in Portugal, mostrei-lhe a experiência que tinha feito com esta técnica numa das minhas canas, com dois tons de azul. De imediato ficou decidido como iria ser a sua.

A Pesca Embarcada é a sua disciplina de eleição há já largos anos. Pescador experimentado e com provas dadas no que respeita a bons resultados, optou por uma cana com 3.0 m dividida em duas partes e ponteira.

Começando pela extremidade inferior da cana podemos observar o  batente em alumínio coberto com epoxy, rematado com o enrolamento em laranja escuro que irá acompanhar todos os pormenores da cana.

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O porta carretos da Fuji, em grafite, enquadrado no meio de dois enrolamentos, confere leveza e segurança no aperto do carreto. E muita longevidade.

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No cabo, um peixe tribal de origem mexicana, em azul e laranja, acompanhado do nome do cliente. O logo da 7even, a bandeira nacional e as indicações técnicas completam o gráfico aplicado.

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Os passadores Fuji com interior em Hardloy completam o hardware.

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Três ponteiras em fibra de vidro também guarnecidas com passadores Fuji e de diferentes acções.

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Mais uma Made in Portugal pronta a entrar em acção.

Só espero que o Angelino goste tanto de pescar com ela como eu gostei de a construir.

A próxima não vai tardar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cana temática

 

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O tipo de acabamentos de todas as canas que tenho feito até agora apenas obedece à vontade do cliente. Cores, tipo de passadores e porta carretos e os gráficos do cabo. São obviamente escolha sua.

Não me estou a queixar mas de vez em quando é-me agradável poder dar asas à imaginação. Desta vez tive alguma liberdade tendo apenas a preocupação de construir a cana com referências a um tema.

Passo a explicar.

Os meus pais, já bem perto da casa dos 80 anos, padecem de maleitas semelhantes. Os maus tratos da vida árdua que tiveram na sua infância e os imensos sacrifícios que foram fazendo ao longo dos anos para que nada faltasse a mim e aos meus irmãos deixaram marcas profundas.

Recentemente, ambos tiveram necessidade de ser submetidos a intervenções cirúrgicas muito delicadas que nos obrigaram a procurar um Neurocirurgião. 

Em termos subjectivos, é uma tarefa sempre complicada a de encontrar um médico a quem se possa confiar a vida de duas das mais importantes pessoas da nossa existência.

Entra assim em cena o Dr. Joaquim Pedro Correia. Fez um trabalho notável, conseguindo devolver-lhes muita qualidade de vida.

Sempre amável e disponível, marcou a maneira de ser, simples, do meu pai. À conversa, descobriu que ele também é pescador. Pesca Embarcada. Daí até me “encomendar” uma cana para lhe oferecer…

“Faz uma cana bonita”, foram as recomendações recebidas.

Acho que consegui!

“Blank” de conolon nacional, preto, com 2,40m, foi a escolha que julguei mais acertada levando em conta as poucas informações que tinha da forma de pescar do visado.

Resolvi arriscar um pouco na escolha das cores e fazer uma cana mais alegre. Branco, prateado, azul e laranja foram as minhas escolhas. Branco das batas, prateado para combinar com o restante hardware, azul porque sim e laranja para alegrar. 

Para porta carretos utilizei ferragens em alumínio com o tubo personalizado com o logo da 7even e enrolamentos nas cores escolhidas.

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No cabo as habituais presenças da bandeira portuguesa, detalhes técnicos, o nome do proprietário e uma figura representativa do sistema nervoso central que ao sol fica deslumbrante.

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Os passadores cromados, com hastes arqueadas e interior em SIC.

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Todos os enrolamentos foram feitos com seda e seda metalizada.

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Duas ponteiras em fibra de vidro e um batente em alumínio a condizer com o porta carretos, completam o conjunto.

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E assim está concluída a primeira cana temática que construi sem indicações do cliente, com um resultado final que considero bastante satisfatório.

Ao Dr. Joaquim Pedro Correia deixo aqui o meu agradecimento e votos de boas pescarias com a sua Made in Portugal.

Espero que gostem!